Intraweb: Serious Business

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ontem foi o Dia Europeu da Internet Segura e a Microsoft publicou um estudo onde chegaram à conclusão que quase 70% dos jovens portugueses utiliza a Internet sem supervisão dos encarregados de educação. E digo eu: Que grande novidade!

Ora, não é permitido a uma criança estar sozinha num café ou num salão de jogos a jogar, apenas o pode se tiver acompanhada por um adulto responsável. Então porque raio é raio pode utilizar a Internet sem supervisão? Ahhh e tal, os pais não têm tempo para estar sempre a vigiar e a Internet é uma ferramenta com uma infinidade de informação útil. Sim é verdade mas cada vez mais os computadores (e as consolas) são utilizados como uma maneira de manter os miúdos em casa para não andarem na vadiagem. O que é certo é que a rede global, por muito útil que seja, não é propriamente um sitio seguro para deixar os filhos sozinhos.

Antigamente, por falta de informação/formação os pais não estavam conscientes dos perigos e acho que é uma justificação perfeitamente aceitável. O problema é que esta falta de informação está a transformar-se numa falta de responsabilidade. Não é difícil encontrar, por exemplo, pais que compram jogos, cuja idade aconselhada é 18+, para os filhos, por vezes crianças, apenas porque os miúdos gostam de andar aos tiros e acabaram de fazer uma birra monumental se não ganham aquele último jogo. Eu não sou assim tão velho e no meu tempo se queria andar aos tiros ia para a rua brincar com os amigos aos "policias e ladrões", onde as "armas" eram as nossa próprias mãos; se fazia uma birra, provavelmente levava porrada (não quero aqui dizer que se deva bater nas crianças mas é certo que resultava).

Obviamente, cabe aos pais decidir quais os limites a impor aos filhos e há muitos que optam pela via mais fácil - fazer-lhes as vontades todas. Depois quando perdem o controlo aos filhos, geralmente no final da adolescência, vêm para a rua queixar-se que são os filmes, os jogos e as internets que corrompem a pura inocência das crianças. Não sei se isto tem um nome mas "Negligência Parental" acenta que nem uma luva.

Pensamento parvo:
Então e se tal como é preciso ter aulas e fazer exames para ter a carta de condução para finalmente poder conduzir na via pública também fosse necessário ter aulas e fazer exames antes de ter filhos (e obviamente não estou a falar de aulas de preparação para o parto ou para mudar fraldas).
Fim de pensamento parvo. Tenho que me deixar disto!

Convidava a nossa meia dúzia de leitores a opinar sobre toda a problemática da questão que engloba os diversos assuntos da coisa.


EDIT: Olha, parece que acertei no nome Negligência Parental

4 comments :

john disse...

Aceito o desafio.

Tens alguma razão naquilo que dizes. Os pais de hoje em dia (atenção à generalização) demitem-se um pouco da responsabilidade de educar os seus filhos. E sim, vemos miúdos fazerem birras incríveis, que nós na idade deles nem ponderávamos fazer (lá vinha a bofetada, não era?).

No entanto, há que ter atenção a outra coisa: os miúdos de que falas fazem já parte daquilo que poderemos designar por a "geração digital". Para eles, um telemóvel 3G é algo de intuitivo, enquanto para os pais deles (para os nossos, mesmo) é um quebra-cabeças. Se investigares um pouco, verás que não há tantos adultos acima dos quarenta a enviar SMS. Passamos para a Internet e terás resultados muito similares.

Os pais não exercem controlo sobre os filhos na Internet porque simplesmente não o sabem fazer. Existe um fosso tremendo entre ambas as gerações. Isso não será resolvido por embustes como as Novas Oportunidades ou pelo Magalhães. Apenas o tempo o resolverá.

Ou seja, quando a nossa geração tiver filhos, saberemos como controlar, como educar os filhos num mundo que será indubitavelmente mais digital do que é hoje. Por agora, creio que pouco há a fazer para além de gestão de danos, sinceramente.

12 de fevereiro de 2009 às 20:46  
john disse...

Outra coisa em que podes pensar:

O primeiro jogo de computador que joguei foi o clássico Duke Nukem 3D. Seguiu-se Doom, Resident Evil, e outros títulos do género. Durante a adolescência, como bem sabes, pesquisava (pesquisávamos... que não és inocente) na nossa própria escola básica/secundária sobre terrorismo, consultávamos coisas como o "Anarchist Cookbook", aprendíamos formas de contornar as fracas medidas de segurança impostas na rede escolar. Fabricámos explosivos domésticos, fazíamos verdadeiras guerras nas florestas, etc. Diria que hoje em dia somos jovens adultos tão normais como quaisquer outros.

Quero com isto dizer que parece-me a mim serem os videojogos/a Internet mais um bode expiatório do que parte do problema.

12 de fevereiro de 2009 às 20:50  
Tito disse...

@john, o único que se dignou a comentar até agora.

Bem, quanto à "Geração Digital" tens razão e eu próprio me sinto um pouco integrado nessa geração. Apenas no aspecto de me sentir completamente à vontade com as novas tecnologias, embora não consiga escrever uma SMS inteira sem olhar para o teclado do telemóvel. Para alem disso não sou muito fã de Redes Sociais como 'AiFaives', 'Feicebuques' e outros!

Não tinha pensado ainda, mas será que no futuro seremos mesmo capazes de lidar com situações similares? Ou simplesmente vamos seguir a tendência? Eu faço os possíveis para a contrariar mas não vejo isso em toda a gente.

Provavelmente as horas que passavas a jogar eram bem menos do que aquelas que passavas na rua e hoje em dia é precisamente o contrário.

Quanto às pesquisas, bombas e afins. Coloco já aqui a culpa nos administradores da rede da escola. Podiam perfeitamente limitar os acessos! :p Falando a sério, isso era perfeitamente saudável e a prova viva somos nós mesmos. Conseguimos fazer bombas, detona-las e sobreviver para contar.

Finalmente podemos ter conseguido um post polémico que pode dar que falar. Ou então não!

12 de fevereiro de 2009 às 21:37  
john disse...

Na minha opinião, fazes mal em ignorares o fenómeno das redes sociais. Okay, o Hi5 é apitalhado, uso-o por puro voyeurismo. Mas o Facebook é interessante. E se fores para o Linkedin então... de resto, de todos nós (grupo de sempre), tu não vais mesmo conseguir escapar às redes sociais. Não a partir do momento em que elas se tornam cada vez mais importantes para a obtenção de empregos no sector das TI.

Enfim, estou a desviar-me. É claro que vamos saber dar o salto. Talvez não de forma perfeita, mas certamente melhor do que os nossos pais. Mal de nós se não o conseguirmos.

E sim, o tempo que passava a jogar era inferior ao tempo que passava com amigos. Por vezes juntávamo-nos a jogar, é certo (hello, Worms Armageddon...), mas não trocávamos isso por umas voltas de bicicleta ou uma detonações caseiras... ou rurais! :)

(e achas mesmo que os administradores de redes da damião ou da secundária percebiam muito daquilo?)

12 de fevereiro de 2009 às 22:30  

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